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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Origem e História do Arroz

Diversos historiadores e cientistas apontam o sudeste da Ásia como o local de origem do arroz. Na Índia, uma das regiões de maior diversidade e onde ocorrem numerosas variedades endêmicas, as províncias de Bengala e Assam, bem como na Mianmar, têm sido referidas como centros de origem dessa espécie. Duas formas silvestres são apontadas na literatura como precursoras do arroz cultivado: a espécie Oryza rufipogon, procedente da Ásia, originando a O. sativa; e a Oryza barthii (= Oryza breviligulata), derivada da África Ocidental, dando origem à O. glaberrima. O gênero Oryza é o mais rico e importante da tribo Oryzeae e engloba cerca de 23 espécies, dispersas espontaneamente nas regiões tropicais da Ásia, África e Américas. A espécie O. sativa é considerada polifilética, resultante do cruzamento de formas espontâneas variadas.

Bem antes de qualquer evidência histórica, o arroz foi, provavelmente, o principal alimento e a primeira planta cultivada na Ásia. As mais antigas referências ao arroz são encontradas na literatura chinesa, há cerca de 5.000 anos. O uso do arroz é muito antigo na Índia, sendo citado em todas as escrituras hindus. Variedades especiais usadas como oferendas em cerimônias religiosas, já eram conhecidas em épocas remotas. Certas diferenças entre as formas de arroz cultivadas na Índia e sua classificação em grupos, de acordo com ciclo, exigência hídrica e valor nutritivo, foram mencionadas cerca de 1.000 a.C. Da Índia, essa cultura provavelmente estendeu-se à China e à Pérsia, difundindo-se, mais tarde, para o sul e o leste, passando pelo Arquipélago Malaio, e alcançando a Indonésia, em torno de 1500 A.C.

A cultura é muito antiga nas Filipinas e, no Japão, foi introduzida pelos chineses cerca de 100 anos a.C. Até sua introdução pelos árabes no Delta do Nilo, o arroz não era conhecido nos países Mediterrâneos. Os sarracenos levaram-no à Espanha e o espanhóis, por sua vez, à Itália. Os turcos introduziram o arroz no sudeste da Europa, donde alcançou os Balcans. Na Europa, o arroz começou a ser cultivado nos séculos VII e VIII, com a entrada dos árabes na Península Ibérica. Foram, provavelmente, os portugueses quem introduziram esse cereal na África Ocidental, e os espanhóis, os responsáveis pela sua disseminação nas Américas.

Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse cereal no continente americano. O arroz era o "milho d'água" (abati-uaupé) que os tupis, muito antes de conhecerem os portugueses, já colhiam nos alagados próximos ao litoral. Consta que integrantes da expedição de Pedro Álvares Cabral, após uma peregrinação por cerca de 5 km em solo brasileiro, traziam consigo amostras de arroz, confirmando registros de Américo Vespúcio que trazem referência a esse cereal em grandes áreas alagadas do Amazonas. Em 1587, lavouras arrozeiras já ocupavam terras na Bahia e, por volta de 1745, no Maranhão. Em 1766, a Coroa Portuguesa autorizou a instalação da primeira descascadora de arroz no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. A prática da orizicultura no Brasil, de forma organizada e racional, aconteceu em meados do século XVIII e daquela época até a metade do século XIX, o país foi um grande exportador de arroz.



Imagem 1 - Diversos historiadores e cientistas apontam o sudeste da Ásia como o local de origem do arroz.
Imagem 2 - Alguns autores apontam o Brasil como o primeiro país a cultivar esse cereal no continente americano.

Origem e História do Arroz

Mercado e Comercialização

Iniciou-se em meados da década de 80 um processo mundial de abertura econômica ao comércio internacional, que desencadeou transformações no modo de produção, comercialização e consumo dos bens e serviços. Na orizicultura nacional as transformações foram mais acentuadas porque, além desses elementos, ocorreram mudanças relacionadas à consolidação da preferência do consumidor pelo arroz tipo "agulhinha", e o retorno, de forma competitiva, quanto a qualidade e preço do arroz conhecido como de terras altas, produzido na região central do país.
Para melhor entender os reflexos da nova conjuntura sobre a comercialização do arroz fez-se um breve retrospecto das mudanças tecnológicas e nos hábitos de consumo, e traçou-se um rápido perfil da cultura no país tratando, especificamente, dos atuais instrumentos de comercialização utilizados pelo governo e das estratégias adotadas pelos segmentos da cadeia produtiva.
A produção brasileira de arroz encontra-se dispersa em todo o território nacional. Existem dois tipos principais de sistemas básicos de produção, o arroz de "terras altas" e o irrigado, permitindo, ainda, a divisão em três pólos produtivos. O primeiro é na região Sul, produzindo arroz irrigado com alta tecnologia, destacando os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; o segundo abrange as regiões Sudeste e Centro-Oeste, envolvendo São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
Observa-se, ainda, uma concentração em pólos de produção, de beneficiamento e de empacotamento em torno de grandes agroindústrias, que estão instaladas nas regiões produtoras, em especial no Rio Grande do Sul, principal fornecedor de arroz para os grandes centros consumidores localizados nas Regiões Sudeste e Nordeste do país mas, diante do constante crescimento da produção e qualidade do arroz produzido no Mato Grosso, aliados aos incentivos fiscais nesse estado, percebe-se uma migração das indústrias do Sul para o Centro-Oeste.
As transações no mercado do arroz são basicamente do tipo "spot". No entanto, nota-se uma preocupação em buscar mecanismos de comercialização complementares que ofereçam maior segurança na negociação do produto. Esta constatação foi baseou-se no crescente número de produtores e indústrias que estão buscando processos alternativos de comercialização, cujos resultados são de pequenos vultos, mas demonstram que há interesse em solucionar os pontos de estrangulamento da cadeia produtiva.
Atualmente o Governo Federal procura adotar uma intervenção mínima que garanta o abastecimento de arroz em quantidade suficiente para o abastecimento interno e, ao mesmo tempo, preços compatíveis com a realidade do setor.
Além dos problemas referentes à tecnologia e condução das culturas, os produtores apontam como principais entraves à comercialização do arroz de terras altas: a) a enorme variação qualitativa dos grãos, tornando o armazenamento dispendioso por requerer o acondicionamento em sacos. Isso ocorre porque os lotes que entram no armazém possuem características e classificações diferentes; b) o baixo grau de confiabilidade nas relações comerciais entre produtores e atacadistas; c) a dificuldade de acesso e/ou indisponibilidade de estrutura própria para a secagem e armazenagem do grão imediatamente após a colheita.
O segmento atacadista reporta que a constante intervenção governamental se constitui numa dificuldade para a comercialização do arroz. No entanto, ficou claro que o mercado ainda não está preparado para funcionar sem ação governamental.
Os produtores ainda não dispõem de tecnologias e cultivares que sejam capazes de, a curto prazo, atender as exigências do mercado, verificadas por grãos longos finos, uniformes, inteiros, de pequena pegajosidade e rapidez no cozimento. Algumas metas e ajustes tornam-se fundamentais para que se estabeleça uma maior coordenação entre o produtor e a agroindústria, a exemplo do que ocorre com a soja e outros produtos, cujos sistemas de comercialização são mais desenvolvidos.
Como conclusões adicionais citam-se: a) o sistema de comercialização do arroz ainda é pouco desenvolvido, encontrando-se vários problemas, como o baixo entrosamento e relacionamento entre o setor atacadista/beneficiador e produtor; b) a produção das regiões produtoras mudam de destino, ou seja os mercados são volúveis; c) os fluxos são bastante variáveis; d) a maior parte do arroz de terras altas é comercializada logo após a colheita.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Mercado e Comercialização

Colheita e pós colheita

As operações de colheita e pós-colheita constituem etapas importantes do processo de produção e, quando malconduzidas, acarretam perdas elevadas de grãos, comprometendo os esforços e os investimentos dedicados à cultura. A colheita pode ser realizada por três métodos: o manual, o semi-mecanizado e o mecanizado. No primeiro, as operações de corte, enleiramento, recolhimento e trilhamento são feitas manualmente; no semi-mecanizado, o corte, o enleiramento e o recolhimento das plantas são, geralmente, manuais, e o trilhamento, mecanizado; no método mecanizado, todas as operações são feitas à máquina. Qualquer que seja o método utilizado, quando o arroz é colhido muito úmido ou tardiamente, com baixo teor de umidade, a produtividade e a qualidade dos grãos são prejudicadas. Para a maioria das cultivares, o ideal é colher o arroz entre 18 a 23% de umidade. No caso da colheita manual, para evitar perdas desnecessárias, recomenda-se, adicionalmente, que o arroz cortado não permaneça enleirado por tempo desnecessário no campo e que se evite o manuseio de feixes muito volumosos de cada vez, para facilitar a operação de trilhamento. Na colheita mecânica, além da regulagem adequada dos mecanismos externos e internos da colhedora, deve-se atentar para a velocidade do molinete, que deve ser suficiente apenas para puxar as plantas para dentro da máquina.
Nas operações de pós-colheita, a secagem pode ser feita por dois processos: o natural e o artificial. O natural, consiste em utilizar o calor e o vento para a secagem; o artificial, com a utilização de equipamentos (secadores) especialmente projetados para esse fim. Para evitar danos ao arroz, quando se destina ao plantio, a temperatura de secagem deve se situar entre 42º C e 45º C. Na secagem de grãos para consumo, a temperatura do ar não deve ultrapassar a 70ºC. No armazenamento, o arroz para ser melhor conservado deve estar limpo e com teor de umidade entre 13% e 14%. Nesta umidade, para a maioria das cultivares, a maturação pós-colheita, isto é, o arroz envelhecido, melhora sua qualidade culinária, ficando seus grãos mais secos e soltos após o cozimento.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Colheita e pós colheita

Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos

As normas gerais para o uso de agrotóxicos compreendem assuntos que abrangem desde aspectos conceituais, de formulação e de preparo, até suas características fitotóxicas, toxicológicas e de risco ao meio ambiente e ao homem.
Tais normas fornecem também a classificação dos fungicidas, herbicidas e inseticidas e a relação destes defensivos comercializados para o arroz em 2002. Adicionalmente, são descritas as medidas gerais para manuseio e uso desses produtos bem como os procedimentos a serem seguidos em caso de acidente, enfatizando as devidas precauções com o destino final das embalagens por parte do usuário e as responsabilidades do revendedor e do fabricante ao fornecer as informações juntamente com o produto.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Normas gerais sobre o uso de agrotóxicos

Pragas e métodos de controle

No Brasil, a perda anual de produção de arroz devido ao ataque de insetos em nível de lavoura é estimada em 10%. O agroecossistema arroz de terras altas no Brasil, abriga, por períodos variáveis, grande número de pequenos animais, principalmente artrópodes, que comportam-se como fitófagos ou zoófagos.
Dentre os artrópodes fitófagos encontrados em arroz de terras altas destacam-se aqueles de grande poder daninho ocorrendo com maior freqüência e abundância nas regiões de produção e que são responsabilizados pela maior parte da perda anual, causada por esse ramo à produção de arroz. Existem vários outros fitófagos do arroz que, de forma localizada no país, podem prejudicar a produção das culturas, como por exemplo Rhammatocerus schistocercoides, Neobaridia amplitarsis no estado de Mato Grosso e Oediopalpa spp.no estado do Maranhão.
As espécies comumente envolvidas em arroz de terras altas são as seguintes: cupim-rizófagos, Procornitermes spp; percevejo-castanho, Scaptocoris castanea (Perty, 1830); percevejo-do-colmo, Tibraca limbativentris Stal; percevejo-das-panículas, Oebalus poecilus (Dalas); cigarrinha-das-pastagens, Deois flavopicta Stal; pulgão-da-raiz, Rhopalosiphum rufiabdominale Sasaki; lagarta-dos-arrozais, Spodoptera frugiperda (J.E. Smith); lagarta-dos-capinzais, Mocis latipes (Guenée); lagarta-dos-cereais, Pseudaletia adultera (Schaus, 1894) e P. sequax Franclemont; 1951 broca-do-colo, Elasmopalpus lignosellus (Zeller); broca-do-colmo, Diatraea saccharalis (Fabricius); pulga-da-folha, Chaetocnema sp.; cascudo-preto (bicho-bolo), Euetheola humilis, Burmeister; formigas cortadeiras,Acromyrmex spp. e Atta spp.
Dentre as medidas de controle para o manejo adequado dessas espécies na cultura incluem práticas culturais, preservação de inimigos naturais e produtos químicos.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Pragas e métodos de controle

Doenças e métodos de controle

A cultura do arroz de terras altas, é afetada por doenças durante todo seu ciclo, que reduzem a produtividade e a qualidade dos grãos. A incidência e a severidade das doenças dependem da ocorrência do patógeno virulento, do ambiente favorável e da suscetibilidade da cultivar. As doenças que causam prejuízos significativos na produção e qualidade dos grãos em ordem decrescente de importância são: brusone (Pyricularia grisea), mancha de grãos (Phoma sorghina e Bipolaris oryzae) e escaldadura (Monographella albescens). Os prejuízos direto e indiretos ocasionados pela brusone, nas folhas e nas panículas, são maiores em arroz de terras altas, na região Centro-Oeste, onde, pelas condições favoráveis à doença, as perdas podem chegar em até 100%. Em plantio direto, a incidência e a severidade da brusone nas folhas e nas panículas foram significativamente menores do que no plantio convencional, contudo, este sistema de plantio apresentou maior produtividade. A queima das glumelas é um dos principais componentes das mancha de grãos e pode ocasionar perdas de 12 a 30% no peso, e de 18 a 22%, no número de grãos cheios por panícula, dependendo do grau de suscetibilidade da cultivar, assim como reduzindo a qualidade após o beneficiamento, os grãos totalmente manchados apresentam gessamento e coloração escura. A escaldadura é uma enfermidade comum, principalmente em locais com temperaturas elevadas acompanhadas por períodos prolongados de orvalho ou chuvas contínuas. As perdas resultam da redução da fotossíntese e da paralisação do crescimento da plantas ocasionadas geralmente em plantios de arroz de primeiro ano em solos de cerrado e na Amazônia e região pré-amazônica, a doença é endêmica. Dentre os métodos de controle dessas doenças, a resistência genética é o principal componente do manejo integrado. A utilização de cultivares resistentes além de ser a prática mais econômica, permite racionalizar o seu uso e de outros insumos como adubação e tratamento com fungicidas. Medidas de controle integrado das doenças do arroz de terras altas, aumentam a produtividade levando em consideração os custos de produção e redução dos impactos ambientais das medidas adotadas.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Doenças e métodos de controle

Manejo de plantas daninhas

As estratégias para o manejo de plantas daninhas no arroz de terras altas, já permitem, ao orizicultor, a implantação e a condução da cultura de forma segura e eficiente. A população das plantas daninhas pode ser dividida em três componentes: as sementes ativas; as sementes inativas ou latentes; e as plantas daninhas propriamente ditas. As sementes ativas, prontas para germinar, e as inativas, ou latentes, podem vir de fontes comuns: produção das plantas e de sistemas externos. As ativas, por sua vez, podem originar sementes inativas. O manejo de plantas daninhas pode ser direto ou indireto. No direto, as atividades são direcionadas à eliminação direta das plantas daninhas por métodos químicos, mecânicos, manuais e biológicos. No manejo indireto, as atividades são direcionadas ao sistema solo/cultura e se trabalha com a relação sementes ativas/inativas. Neste caso, aumenta-se a emergência das plantas daninhas para depois controlá-las, com o uso de técnicas, como por exemplo, a aplicação antecipada de dessecantes.
A capacidade competitiva do arroz em relação às plantas daninhas dependem de fatores como emergência mais rápida da cultura em relação às invasoras e a maior taxa de crescimento inicial. Tais fatores de competição estão ligados ao manejo de solo (cultivo mínimo e plantio direto) e manejo cultural (uso de sementes, de variedades adaptadas, plantio sem falhas, espaçamento e densidades adequados, fertilidade e condições físicas do solo propícias ao arroz). Outra estratégia seria a eliminação e/ou redução do crescimento das plantas daninhas por métodos químicos, mecânicos e manuais. A aplicação de herbicidas exige o conhecimento da seletividade do produto para cada variedade de arroz e a eficiência no controle sobre as populações infestantes predominantes.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Manejo de plantas daninhas

Irrigação

Grande parte das lavouras de arroz de terras altas está localizada na Região dos Cerrados. Durante a estação chuvosa, quando é feito o cultivo, a distribuição das chuvas é irregular, sendo comum, nas áreas classificadas como de médio a alto risco climático, a ocorrência de estiagens de duas a três semanas, denominadas regionalmente "veranicos". A baixa capacidade de retenção de água dos solos, aliada à alta demanda evapotranspirativa da atmosfera durante esses períodos, faz com que os veranicos causem sérios decréscimos na produtividade do arroz. Uma das alternativas para cultivar com sucesso arroz nessas áreas é a irrigação suplementar por aspersão, utilizando o equipamento para irrigar outros cultivos na entressafra.
Um aspecto importante a ser considerado é o intervalo entre as irrigações. Existem trabalhos estabelecendo a freqüência de irrigação com base no consumo de 30% a 40% da água disponível do solo (AD). Entretanto, como a curva de retenção de água tem formas distintas para os diferentes solos, uma dada porcentagem de AD pode corresponder a diferentes tensões de água do solo. Consequentemente, os resultados expressos em porcentagem de água disponível só podem ser considerados em solos com características semelhantes. Se, por outro lado, forem expressos em tensão de água do solo, podem ser mais facilmente aplicados em outro tipo de solo. Stone et al. (1986), em trabalho conduzido em Goiânia (GO), concluíram que, aliando-se produtividade e economicidade, a irrigação do arroz por aspersão deve ser conduzida de maneira que a tensão de água do solo, medida a 15 cm de profundidade, não ultrapasse o valor de 25 kPa.
É difícil quantificar com exatidão o volume total de água necessário para irrigação quando se utiliza irrigação suplementar, uma vez que este volume depende da quantidade e distribuição das chuvas. A necessidade total de água para o cultivo do arroz de terras altas varia de 600 a 700 mm. O requerimento de água do arroz irrigado por aspersão pode ser estimado a partir de tanques evaporimétricos, com base na relação existente entre a evaporação da água medida no tanque USWB Classe A (ECA) e a evapotranspiração da cultura (ETc). A relação é obtida utilizando-se o coeficiente do tanque (Kp) e o coeficiente da cultura (Kc), de modo que: ETc = ECA x Kp x Kc.
Com os dados de evaporação do tanque de um local (média de vários anos) e com os coeficientes, pode-se estimar a demanda de água de maneira mais precisa que a simples medição do consumo de água em um local e num dado ano.
Outra maneira de calcular a quantidade de água a ser aplicada no solo plantado com arroz é utilizando-se tensiômetro e a curva de retenção de água deste solo. Os tensiômetros são aparelhos que medem a tensão da água do solo. A curva de retenção relaciona o teor ou o conteúdo de água do solo com a força com que ela está retida por ele. É uma propriedade físico-hídrica do solo, determinada em laboratório. Os tensiômetros devem ser instalados em duas profundidades no solo, 15 cm e 30 cm, em pelo menos três locais da área plantada, quando se trata de irrigação com pivô central. Estes pontos devem corresponder a 4/10, 7/10 e 9/10 do raio do pivô, em linha reta a partir da base. O tensiômetro de 15 cm é chamado "de decisão", porque indica o momento da irrigação, enquanto o de 30 cm é chamado "de controle", porque indica se a irrigação está sendo bem-feita, sem excesso ou falta de água. A irrigação deve ser efetuada quando a média das leituras dos tensiômetros de decisão estiver em torno de 25 kPa.
O procedimento para determinação da quantidade de água a ser aplicada é o seguinte: de posse da curva de retenção de umidade, verifica-se a quanto 25 kPa correspondem em conteúdo de água no solo, dado em cm3 de água/cm3 de solo. Em seguida, calcula-se a diferença entre o conteúdo de umidade a 10 kPa (capacidade de campo) e a 25 kPa. Esta diferença, multiplicada pela profundidade de 30 cm, indicará a lâmina líquida de irrigação. Isto se deve ao fato de que a camada de solo de 0-30 cm de profundidade engloba a quase totalidade das raízes do arroz irrigado por aspersão e de que a leitura do tensiômetro de decisão representa a tensão média da água do solo nesta camada.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Irrigação

Plantio

A capacidade do solo em manter a produtividade das culturas no sistema de rotação é maior do que em monoculturas, principalmente quando se trata de sistemas de produção de arroz de terras altas. Ao conduzir sistemas de produção em rotação e adotar manejos adequados de preparo do solo, promove-se a sustentabilidade desses solos. No caso específico do arroz de terras altas tem sido observado que a produtividade em solos de cerrado mantém-se ou decresce ligeiramente no segundo ano de monocultura e cai a níveis muito baixos em anos subseqüentes, entretanto quando rotacionado, pelo menos, a cada dois anos com soja, obtém-se aumentos significativos de sua produtividade.
Em Rondonópolis-MT e Primavera do Leste-MT conseguiram-se, em nível experimental, altas produtividades de arroz em áreas de monocultura de soja, com as cultivares Caiapó e Primavera. Nestes trabalhos, por serem conduzidos em solos recuperados, a adubação formulada não surtiu efeito. Por outro lado, o bom preparo do solo com arado de aiveca ou escarificador, aplicados a, aproximadamente, 35-40 cm de profundidade, em solos mais argilosos, determinou produtividades significativamente maiores que as observadas em solo preparado com grade aradora. Quando conduzida em solos sem impedimento ao crescimento radicular e recuperados quimicamente, a cultura do arroz não respondeu à aplicação de fertilizantes e ao preparo profundo. O preparo excessivo do solo favorece a erosão e, conseqüentemente, a perda de matéria orgânica e de outros componentes. Deve-se considerar que o preparo do solo bem conduzido melhora a estrutura física, a porosidade e a rugosidade superficial do solo. Todas estas características facilitam a penetração da água no solo e reduzem a possibilidade de ocorrer erosão.
O Sistema Plantio Direto(SPD), entre os sistemas de preparo do solo, tem tornado uma alternativa interessante, por proporcionar as vantagens descritas anteriormente e por facilitar a condução dos sistemas de produção. Por outro lado o sistema, no entanto, tem demonstrado ser de maior risco quando conduzido em solos que apresentam limitações ao crescimento radicular, o que agrava o efeito dos veranicos sobre as plantas. Em área em que o plantio direto foi iniciado recentemente, ou rico em palhada com alta relação C/N, têm sido recomendadas aplicações de doses mais elevadas de nitrogênio na semeadura para compensar a menor disponibilidade inicial deste nutriente no solo. Tem-se observado que o efeito do N aplicado no SPD de arroz cultivado após soja é baixo, se comparado a outros sistemas de produção. Além do mais, não tem sido observado efeito do manejo da adubação nitrogenada (N aplicado totalmente na semeadura ou parcelado na semeadura e em cobertura), sobre a produtividade.
O arroz apresenta um sistema radicular muito sensível à compactação do solo, ocasionada pelo tráfego excessivo de máquinas em sua superfície, como pode ocorrer no SPD. Nestas condições, o sistema radicular é menos desenvolvido. Entretanto, quando as condições físicas do solo são favoráveis, o sistema radicular atinge maiores profundidades. Sistema radicular pouco desenvolvido não acarreta grandes problemas à planta quando há boa disponibilidade hídrica no solo, porém, pode agravar o efeito dos veranicos, pela menor capacidade da planta para absorver água. Semeadoras de SPD, equipadas com dispositivos para romper o solo a maiores profundidades, têm apresentado resultados positivos na indução do aprofundamento do sistema radicular do arroz de terras altas, comparativamente ao sistema radicular proporcionado pelo plantio direto com semeadoras convencionais.
Sistemas de produção de arroz também podem ser conduzidos em áreas de pastagens, como o proposto pelo Sistema Barreirão. Este Sistema tem-se mostrado muito eficiente e são inúmeros os resultados que comprovam o fato, entretanto para algumas situações, tem surgido a necessidade de procedimentos alternativos para tornar a técnica de uso mais abrangente. Neste sentido desenvolveram-se sistemas com semeadura do capim após a emergência do arroz ou imediatamente após sua colheita, ou mesmo sistemas alternativos de preparo do solo. A semeadura retardada do capim diminui a competitividade entre as culturas consorciadas e permite que as cultivares de arroz expressem seu potencial produtivo.
Além do mais, diminui o risco do sistema produtivo do arroz e torna-o de uso mais abrangente, pois adota a maquinaria agrícola geralmente disponível na propriedade rural. Nas condições de solo que existem camadas com limitação ao crescimento radicular, como na camada superficial das áreas de pastagens, o preparo do solo com arado é indispensável, principalmente nas regiões onde ocorre distribuição irregular das chuvas. O arado quebra estas compactações e melhora o ambiente para o crescimento radicular e, conseqüentemente, a capacidade da planta em absorver água das camadas mais profundas do solo e conviver com os períodos de veranicos.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Plantio

Produção de sementes

A semente se constitui em insumo básico imprescindível a uma agricultura produtiva e da qual, em função de suas características genéticas, físicas, fisiológicas e sanitárias, bem como da maneira como é utilizada, dependem os resultados da nova safra.
Existem cinco classes de sementes: a semente genética, a básica, a registrada,
a certificada e a fiscalizada.
A primeira, é aquela produzida exclusivamente sob a responsabilidade do melhorista ou entidade melhoradora e, por ser portadora da carga genética varietal, deve ser multiplicada sob condições de rigoroso controle de qualidade no sentido de assegurar a obtenção de sementes com grau de pureza inquestionável; a básica, resulta da multiplicação da semente genética ou da própria básica.
É usualmente produzida sob a responsabilidade da entidade de pesquisa que lançou a cultivar ou por pessoa física, ou jurídica, por ela credenciada; a semente registrada, a primeira classe de semente comercial, é obtida da multiplicação da semente básica ou da própria registrada por, no máximo, três gerações. É produzida por produtores credenciados pela Entidade Certificadora.
A semente certificada, é a categoria resultante da multiplicação da semente básica, registrada ou da própria certificada, por, no máximo três gerações, geralmente destinada a plantios para produção de grãos. A fiscalizada, resulta da multiplicação de qualquer uma das classes anteriores ou da própria fiscalizada e não há exigência quanto ao número de gerações desde que a semente produzida esteja em conformidade com as normas e padrões estabelecidos pela Entidade Certificadora. Qualquer que seja a classe de semente, cuidados e recomendações são necessários à produção da mesma.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Produção de sementes

Adubação

No processo de modernização e racionalização da agricultura brasileira, o uso de adubação adequada constitui um fator importante para o aumento da produtividade. O custo crescente dos insumos agrícolas exige, cada vez mais, a adoção de métodos e técnicas de cultivo adequados na produção das culturas anuais, como arroz. Estudos realizados pela Embrapa Arroz e Feijão mostram que, em condições de boa umidade, controle de doenças e pragas em nível adequado, a adubação é responsável por aproximadamente 40% do aumento na produtividade das culturas de arroz, feijão, milho, soja e trigo em solo de cerrado. A elevação dos custos dos fertilizantes nos últimos anos é provavelmente irreversível, já que esta elevação é reflexo de preços mais elevados de energia, matéria-prima e transporte. Os fertilizantes passam, assim, a exigir um maior dispêndio nos investimentos das atividades agrícolas, merecendo, portanto, atenção especial com referência ao seu uso com vistas a um melhor aproveitamento pelas culturas.
A baixa fertilidade dos solos de cerrado é bastante conhecida. Esses solos possuem teores extremamente baixos de nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e zinco. Além de pouco férteis, os solos de cerrado são extremamente ácidos, o que diminui a disponibilidade de nutrientes para as culturas. Entre os nutrientes essenciais, o nitrogênio, o fósforo e o potássio são os que a planta necessita em maior quantidade. Para a incorporação dos solos de cerrado ao processo produtivo é indispensável o uso adequado de adubação e calagem. O uso adequado de adubação não somente aumenta a produtividade, mas também reduz o custo da produção e propicia maior retorno econômico para os produtores. Ainda, a aplicação de adubação e calagem de acordo com a necessidade da cultura, reduz o risco de degradação do meio ambiente. A quantidade de N recomendada está em torno de 90 kg ha-1 aplicado em duas vezes, metade no plantio e o restante na época do perfilhamento ativo. Se o arroz é plantado após soja, uma redução de 30 kg N ha-1 é recomendada. A aplicação de P depende da análise do solo, quando o teor de P é menor que 5 mg kg-1, a aplicação de 100 a 120 kg P2O5/ha é recomendada. A aplicação de K também é feita com base na análise do solo. Quando o K está na faixa de 25 a 50 mg kg-1, uma aplicação de 80 kg K2O/ha é recomendada. Quando o teor de K é maior de 50 mg kg-1, a aplicação de adubação de manutenção em torno de 50 kg K2O/ha é recomendada. Com relação os micronutrientes, a deficiência de Zn é comumente observada em arroz de terras altas. A deficiência de Zn pode ser corrigida com a aplicação de 5 kg Zn/ha. O pH adequado para o arroz de terras alta está em torno de 5,5.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Adubação

Solos

O solo é um mineral não consolidado influenciado por uma gama de fatores, tais como, o material de origem, a topografia, o clima (temperatura e umidade) e os microorganismos, que, no decorrer do tempo, atuaram na sua formação. Cada solo se diferencia por suas propriedades e características físicas, químicas, biológicas e morfológicas do material de origem. O manejo apropriado decorre de sua classificação, que destaca suas características gerais e específicas e os agrupa de forma ampla, com base nas características gerais, e em subdivisões, de acordo com suas propriedades específicas. As propriedades morfológicas, físicas, químicas e mineralógicas são critérios distintivos.
A maioria dos solos de cerrado onde o arroz de terras altas é cultivado são Oxissolos e possuem baixa fertilidade. Os valores médios das propriedades químicas dos solos de cerrado em estado natural são: pH 5,2; P 2 mg kg-1 , K < 50 mg mg k-1; Ca <1,5 cmolc kg -1; Mg <1 cmolc kg-1, Zn e Cu em torno de 1 mg kg-1, matéria orgânica na faixa de 15 a 25 g kg-1 e saturação por bases < 25%. Com base nestes dados, pode-se concluir que os solos de cerrado são ácidos e de baixa fertilidade, o que evidencia o manejo da fertilidade como um dos aspectos mais importantes para a produção das culturas na região.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Solos

Clima

No Brasil, o arroz de terras altas é uma das culturas mais influenciadas pelas condições climáticas. Em geral, quando as exigências da cultura são satisfeitas, obtêm-se bons níveis de produtividade. Entretanto, quando isso não ocorre, pode-se esperar frustrações de safras, que serão proporcionais à duração e à intensidade das condições meteorológicas adversas. Essa cultura é submetida a condições climáticas bastante distintas, pelo fato de ser semeada em praticamente todos os estados, em latitudes que variam de 5° Norte até 33° Sul.
A duração do dia, definida como o intervalo entre o nascer e o pôr do sol, é conhecida como fotoperíodo. A resposta da planta ao fotoperíodo é denominada fotoperiodismo. Sendo o arroz de terras altas uma planta de dias curtos, (dez horas) tem seu ciclo diminuído, antecipando a floração. O fotoperíodo ótimo é considerado o comprimento do dia no qual a duração da emergência até a floração é mínima.
A temperatura do ar é um dos elementos climáticos de maior importância para o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura do arroz. Cada fase fenológica tem a sua temperatura crítica ótima, mínima e máxima. Em geral, a cultura exige temperaturas relativamente elevadas da germinação à maturação, uniformemente crescente até à floração (antese) e decrescentes, porém, sem abaixamento bruscos, após a floração.
As características do regime pluvial expressas pela quantidade e a distribuição das chuvas durante o ciclo da planta, são os fatores mais limitantes à produção de grãos.
Do ponto de vista agroclimático existem, basicamente, duas alternativas para se diminuir a influência da deficiência hídrica no arroz de terras altas: a) identificação das épocas de semeadura com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica durante o ciclo e, principalmente, durante a fase reprodutiva da cultura; b) identificação, através do zoneamento agroclimático, das regiões com menores riscos de ocorrência de deficiência hídrica.
Na cultura do arroz de terras altas, a diminuição de água concorre para uma diminuição no rendimento de grãos. Para diminuir os efeitos negativos decorrentes da redução hídrica, torna-se necessário semear em períodos nos quais a fase de florescimento-enchimento de grãos coincide com uma maior demanda pluvial. Para isto, acredita-se que um estudo sobre o balanço hídrico do solo possibilitará caracterizar os períodos de maior e menor quantidade de chuva oferecendo, desta forma, subsídios para a concretização de um zoneamento de risco climático.
As simulações do balanço hídrico associadas a técnicas de geoprocessamento, permitiram identificar no tempo e no espaço, as melhores datas de semeadura do arroz de terras altas nas diferentes regiões do Brasil. Com chance de perda de dois anos em dez, ou seja, 80% de chances de sucesso, evitando-se o veranico na fase de enchimento de grãos, as variáveis a serem consideradas por ordem de importância são: retenção de água no solo e duração do ciclo. Quanto maior a capacidade de armazenamento de água no solo, associado ao ciclo mais curto, menores serão as perdas. O risco de perda se acentua quanto mais tarde for a semeadura, independente do solo e do ciclo da cultura, uma vez que as chances de ocorrerem veranicos nos períodos compreendidos entre janeiro e fevereiro são acentuadas nos seguintes estados: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Tocantins. De forma geral, é possível concluir que, para plantios realizados após 20 de dezembro, o risco climático é bastante acentuado para a cultura do arroz de terras altas, exceto em algumas localidades do Estado de Mato Grosso, onde se apresenta uma distribuição pluvial bastante regular. Assim, é possível realizar semeadura do arroz até meados de janeiro em regiões localizadas, principalmente, no Noroeste do Estado de Mato Grosso.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Clima

Importância Econômica

Até a década de 70 a produção do arroz de terras altas e do arroz irrigado eram complementares no abastecimento nacional e a concorrência entre eles era baixa, pois os produtos se dirigiam à diferentes mercados consumidores. A partir de meados dos anos 70 o arroz irrigado passou a dominar a preferência nacional e obter maiores cotações no mercado. Neste aspecto, ressalta-se que a mudança de preferência do consumidor provocou um aumento da área cultivada do arroz irrigado. A partir do início da década de 80, a produtividade média nacional apresenta uma tendência de crescimento.
Com essas mudanças, a área de cultivo com arroz de terras altas reduziu, mas a produção cresceu e a qualidade melhorou, com isso, recuperou parte do prestígio que havia perdido. A perspectiva é que a produção dos diferentes ecossistemas continue desempenhando um papel de complementariedade, mas com uma certa concorrência. Mas, essa concorrência não deve ser acirrada, pois a curto prazo, nenhum sistema sozinho é capaz de atender a demanda interna. No entanto, na competitividade do arroz não está circunscrita a disputa entre o arroz de terras altas e arroz irrigado, mas sim a organização da produção.
Com o propósito de oferecer subsídios que permitam um melhor entendimento do assunto apresenta-se um breve retrospecto das história recente da cultura, considerando os avanços, mudanças tecnológicas e de preferência de consumo, aliados à conjuntura macroecnômica.
Apesar da pulverização da produção, pode-se dividir a produção de arroz no Brasil, em três pólos: o primeiro é a Região Sul, com destaque para o Estado do Rio Grande do Sul, o segundo é a região Central, abrangendo os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso. O terceiro pólo, o estado do Maranhão que, além da importância histórica na produção, na década de 90 foi o terceiro maior estado produtor deste cereal.
No período de 1970 a 1975 ocorreram variações nos preço, mas o arroz de terras altas continuou com o preço mais alto. Em 1975, houve uma inversão, mas o domínio do arroz irrigado passou a vigorar a partir de 1980. Ressalta-se que nesse processo, ocorreu uma ligeira mudança do perfil do produtor de arroz de terras altas, principalmente no estado do Mato Grosso e que o nível de exigência do consumidor foi fundamental na determinação dos rumos do processo produtivo. Outro componente importante foi a mudança do papel do governo, que era o maior comprador e vendedor de arroz. Um aspecto relevante também a ser mencionado é que o governo não primava pela qualidade, ou seja, não havia estímulo para que se produzisse com qualidade, mas sim quantidade.
No período de 1994 a 2001, observou-se que a participação média do agronegócio no produto interno bruto - PIB foi cerca de 30,5%, enquanto o PIB da agricultura foi 21,5% e da pecuária foi de 9%, caracterizando o agronegócio e respondendo por cerca de um terço da economia nacional. Neste contexto, a rizicultura ocupa uma posição de destaque no agronegócio brasileiro pois, no período de 1990 a 2002, respondeu por 6,88% da renda agrícola total, sendo o sexto produto em renda, ficando atrás da soja (18,47%), cana-de-açúcar (13,94%), milho (13,68%), laranja (7,67%)m e café (7,38%).
Apesar das importantes inovações tecnológicas conseguidas nas décadas de 80 e 90, a rizicultura de terras altas tem dois grandes desafios; o primeiro, a consolidação da cultura de forma sustentável nos diferentes sistemas de produção de grãos, especialmente sob plantio direto e o segundo é a mudança do perfil do rizilcultor, ainda falta muito para se alcançar um estágio que possa classificá-los como profissionais na cultura.
No âmbito mundial, o arroz é cultivado nos cinco continentes, tanto em regiões tropicais como temperadas. A Ásia é a principal produtora, nela concentra-se mais de 90% da produção mundial. Os países que se destacam são: China, Índia e Indonésia que respondem, respectivamente, por 30%, 23% e 8% da produção mundial. Nos últimos dez anos, na América do Sul e na África, a produção de arroz cresceu, respectivamente, a uma taxa média de 3,2% e 3,6% a.a. A expectativa para o próximo decênio é que a taxa de crescimento não ultrapasse a 2,5% a.a. Essa projeção se apoia, principalmente, na premissa que não vão ocorrer novos ganhos de rendimentos. Nos grandes países asiáticos a produção de arroz é suficiente para atender o consumo doméstico. Países como China e Indonésia, exercem grande influência no comportamento do mercado mundial, haja vista que são grandes produtores e possuem alto nível populacional.
O consumo de arroz teve um forte progresso nos últimos trinta anos. Os padrões de consumo podem ser classificados em três grandes modelos. O modelo asiático que corresponde a um consumo médio per capita superior a 100 kg a.a. Neste grupo há países que o consumo alcança até 200 kg. a.a. Um exemplo desse grupo é a China, que apresenta um consumo anual médio de 110 kg per capita. O modelo subtropical apresenta um consumo per capita médio que varia de 35 a 65 kg a.a. O Brasil é um país representativo desse grupo, o consumo médio gira em torno de 45 kg. a.a. de arroz beneficiado. No modelo ocidental o consumo per capita médio é baixo, cerca de 10 kg. a.a. Como exemplo desse grupo pode-se citar a França com um consumo per capita de 5 kg a.a.
Existem dois grandes mercados de arroz no mundo. O mercado de alto padrão e o mercado de baixo padrão. As diferenças de padrões são definidas basicamente, pelo percentual de quebrado. Nas cotações de preços internacionais somente se distinguem as seguintes características: país de origem, percentual de arroz quebrado, aromático ou não aromático, parbolizado ou branco.
Para se fazer uma prospecção da rizilcultura brasileira com um certo grau de confiabilidade é uma tarefa difícil, porque alguns pontos considerados estratégicos não estão claros, por exemplo, a) indefinição quanto o grau der interesse por parte dos planejadores de política públicas pelo produto; b) desdobramentos do aumento do processo de verticalização e concentração nas empresas privadas no mercado de alimentos; c) a postura nos itens anteriores e vão determinar se o país vai se inserir no mercado internacional como importador ou aumentar a dependência de importação para abastecer o mercado interno, cujo o eventuais fornecedores seja os países ricos, que continuam aperfeiçoando suas produções com o objetivo de conquistar novos mercados.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Importância Econômica

Características da Cultura

A cultura do arroz de sequeiro, pouco exigente em insumos e tolerante à solos ácidos, teve um destacado papel como cultura pioneira durante o processo de ocupação agrícola dos cerrados, iniciado na década de 60. Este processo de abertura de área teve seu pico no período 75-85, em que a cultura chegou a ocupar área superior a 4,5 milhões de ha. O sistema de exploração caracterizava-se pelo baixo custo de produção, devido à baixa adoção das práticas recomendadas, incluindo plantios tardios. A significativa ocorrência de veranicos fazia com que a cultura apresentasse uma produtividade média muito baixa, ao redor de 1 t/ha, sendo considerada como de alto risco e gerando centenas de casos de Proagro (Seguro agrícola).
Apesar desse panorama pouco promissor, a pesquisa nesse período, já oferecia um leque de alternativas para minimização da adversidade climática, incluindo cultivares tolerantes à seca, classificação do grau de risco dos municípios produtores, adequação da época de semeadura e do ciclo da cultivar, preparo de solo e manejo de fertilizantes visando aprofundamento radicular e aumento da reserva útil de água do solo, além de técnicas do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas.
Com a progressiva redução das áreas de abertura, em meados da década de 80, a área cultivada com arroz sob o sistema de cultivo de sequeiro, foi sendo gradativamente reduzida, ao mesmo tempo em que a fronteira agrícola se moveu no sentido sudeste-noroeste. A conseqüência desse movimento foi a redução do risco climático, o que tornou mais propícia a aplicação das tecnologias recomendadas pela pesquisa. Para estas novas e promissoras áreas, a criação de cultivares de tipo de planta moderno (estatura e perfilhamento intermediários, folhas eretas), de maior potencial produtivo e grão do tipo "agulhinha", além do crescimento do nível de insumos aplicados, motivado pela melhor relação custo/benefício, trouxe também um substancial aumento da aceitação do produto pela indústria e consumidores.
Apesar da expressiva redução da área cultivada (-50%), que hoje perfaz apenas 2,2 milhões de ha, a produção se manteve nos mesmos níveis da década de 70, devido ao grande aumento da produtividade, que cresceu para 2 t/ha (50%). Este aumento da produtividade média é bastante animador; contudo, ainda está muito aquém do que é possível obter com a nova cultura, ora denominada de "arroz de terras altas". Em lavouras bem conduzidas, em áreas favorecidas quanto à distribuição de chuvas, como no Centro-Norte do MT, pode-se alcançar mais de 4 t/ha, enquanto em nível experimental, tem-se obtido até 6 t/ha. A inserção do arroz como componente de sistemas agrícolas de sequeiro vem ocorrendo de forma gradual, especialmente na região Sudoeste e Centro-Norte do Mato Grosso. Além do bom rendimento nessas condições, o arroz promove o desempenho de outras culturas, como a soja, quando utilizado em rotação e/ou sucessão.
Atualmente, a pesquisa com a cultura do arroz de terras altas, prioriza ações, que visam consolidar a presença da cultura em sistemas de produção de grãos nas regiões favorecidas dos cerrados e, especialmente, adaptá-la ao sistema de plantio direto, que oferece vários desafios. Também fazem parte da agenda, o consórcio de arroz com pastagem, no Sistema Barreirão (renovação de pastagem degrada) e no Sistema Santa Fé (integração lavoura-pecuária), assim como o sistema sob irrigação suplementar e o de abertura de novas áreas. Neste documento, coloca-se ao alcance dos usuários, os conhecimentos e tecnologias resultantes da pesquisa de Embrapa e suas parceiras, obtidas ao longo de quase 30 anos de experiência com a cultura, envolvendo socioeconomia, mercado, melhoramento, manejo da planta, solo e fertilidade, manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, entre outras linhas relevantes. Espera-se que venham a estimular e que possam promover a exploração da cultura do arroz, no ambiente dos cerrados, de forma sustentável e competitiva.

Cultivo do Arroz de Terras Altas - Características da Cultura

Como fazer o controle das pragas do arroz

O controle das pragas do arroz até o presente momento tem sido feito com base na aplicação de inseticidas. No arroz de várzea os inseticidas são aplicados de forma curativa na água de irrigação e pulverização. No arroz de terras altas os inseticidas são aplicados principalmente de forma preventiva, através do tratamento das sementes e em menor escala em pulverização. Há várias outras medidas culturais, biológicas e físicas que também podem ser utilizadas. Maiores informações sobre pragas do arroz podem ser obtidas da bibliografia relacionada no final.
Atualmente estão sendo desenvolvidas pesquisas em controle biológico e de resistência de arroz para algumas das pragas do arroz de terras altas e de várzea, bem como de métodos de monitoramento e de transferência do MIP aos orizicultores.

Pragas do arroz - Como fazer o controle das pragas do arroz

Queima da Bainha

A queima da bainha vem grande potencial para causar danos significativos na produtividade de arroz irrigado, principalmente no estado do Tocantins. No Rio Grande do Sul, o aumento da incidência da queima da bainha foi observado nos últimos anos, devido ao plantio do arroz em rotação ou sucessão com a cultura da soja e com pastagens de trevo e azevém. No Estado do Tocantins, a mancha da bainha, causada por Rhizoctonia. oryzae Ryker Gooch, que manifesta sintomas semelhantes à queima da bainha, vem assumindo importância em arroz irrigado.

Sintomas

A queima da bainha é causada pelo estágio imperfeito Rhizoctonia solani Kiihn e estágio perfeito Thanatephorus cucumeris (A.B. Frank) Donk A doença ocorre geralmente nas bainhas e nos colmos, e é caracterizada por manchas ovaladas, elípticas ou arredondadas, de coloração branco-acinzentada e bordas marrons bem definidas. Em casos severos observam-se manchas semelhantes nas folhas, porém com aspecto irregular. A incidência da queima da bainha resulta em seca parcial ou total das folhas e provoca acamamento da planta. Em contraste aos sintomas da queima da bainha, os sintomas da mancha da bainha são caracterizados por manchas ovais, levemente verdes, creme ou brancas, com bordas marrom-avermelhadas. As lesões são isoladas e não formam as áreas contínuas de infecção típicas da queima da bainha.

Fatores que afetam a incidência da doença
O patógeno, que sobrevive no solo em forma de esclerócios e de micélio em restos culturais, constitui o inóculo primário. O patógeno infecta diversas gramíneas comuns, como plantas daninhas nas lavouras de arroz irrigado e diversas leguminosas, inclusive a soja. O fungo é disseminado rapidamente pela água de irrigação e pelo movimento do solo durante a aração.
A doença desenvolve-se rapidamente durante a emissão das panículas e a formação dos grãos. Os elevados porcentuais de matéria orgânica (3 - 4%), níveis de nitrogênio e altas densidades de sementes (250 - 350 kg/ha) contribuem para aumentar a severidade da doença. Os danos causados por insetos, como broca-do-colmo e percevejo, predispõem a planta à infecção por R. solani e outros fungos de solo, como Sclerotium oryzae, Sclerotium rolfsii e Fusarium sp.

Controle

O manejo adequado das áreas afetadas pela doença, com boa drenagem na entressafra, adubação equilibrada, densidade de semeadura recomendada (120 - 180 kg/ha) e uso racional de herbicidas, tem se mostrado eficiente. A rotação do arroz com outras gramíneas (milho e sorgo) pode reduzir a incidência da doença. O tratamento de sementes com fungicidas. Nos Estados Unidos, a queima da bainha é controlada pelo uso de fungicidas em duas aplicações: a primeira entre as fases de elongação dos entre-nós do colmo e iniciação da panícula, variando de 2,5 a 5,0 cm na bainha; e a segunda na fase de 80 a 90% de emissão da panícula.


Imagem 1 e 2 - Sintomas de queima da bainha nos colmos e folhas em arroz.

Doenças do arroz - Queima da Bainha

Escaldadura

A escaldadura vem se manifestando em níveis significativos em todas as regiões do Brasil, principalmente nas Regiões Norte e Centro Oeste, tanto em ambientes de várzeas como em terras altas. Na Região Sul não são encontradas lavouras sem incidência de escaldadura, embora essa doença não cause danos notáveis na área foliar. Em arroz de terras altas, a escaldadura tem importância econômica nos primeiros anos de plantio do arroz, logo após o desmatamento do cerrado, nos plantios feitos em rotação com soja e em lavouras conduzidas com irrigação suplementar. Esta enfermidade paralisa o crescimento da planta no início do emborrachamento, principalmente nos anos de alta precipitação. Em geral, a escaldadura é uma doença importante do arroz em ambientes com alta precipitação pluviométrica.

Sintomas

A escaldadura é causada pelo fungo Microdochium oryzae (Hashioka & Yokogi) Samuels & Hallett. Os sintomas típicos da doença iniciam-se pelas extremidades apicais das folhas ou pelas bordas das lâminas foliares. As manchas não apresentam margens bem definidas e são inicialmente de coloração verde-oliva. Mais tarde, as áreas afetadas apresentam sucessões de faixas concêntricas. As lesões coalescem, causando secamento e morte da folha afetada. As lavouras afetadas apresentam amarelecimento geral, com as pontas das folhas secas. O patógeno infecta os grãos, causando pequenas manchas do tamanho da cabeça de alfinete e, em casos severos, provoca descoloração das glumelas, tornando-as marrom-avermelhadas.
Fatores que afetam a incidência da doença
As sementes infectadas e os restos culturais constituem as principais fontes de inóculo primário. A transmissão do fungo pelas sementes infectadas provoca uma descoloração nas plântulas, tornando-as marrom-escuras. O desenvolvimento da doença é favorecido pelo umedecimento das folhas pela água da chuva ou por períodos prolongados de orvalho, durante as fases de perfilhamento máximo e emborrachamento. Altas densidades de plantas da adubação nitrogenada aumentam a severidade da escaldadura e o favorece o rápido desenvolvimento da doença.

Controle

As medidas preventivas incluem o uso de sementes sadias ou tratadas com fungicidas. No Brasil, ainda não há informações quanto à viabilidade econômica do controle químico.


Imagem 1 - Sintomas de escaldadura nas folhas de arroz.

Doenças do arroz - Escaldadura

Mancha de Grãos

As manchas de grãos estão associadas com mais de um patógeno fúngico ou bacteriano e podem ser consideradas como um dos principais problemas da cultura do arroz, tanto no ecossistema de várzeas como no de terras altas. Em arroz de terras altas, a queima das glumelas é um dos principais componentes das manchas de grãos e, além de depreciar a aparência dos grãos, reduz também sua qualidade, causando gessamento e quebra durante o beneficiamento.

Sintomas

Os principais patógenos causadores de manchas de grãos incluem Dreschslera oryzae (Breda de Haan) Subram & Jain, Phoma sorghina (Sacc.) Boerema, Dorenbosch & Van Kesteren, Alternaria padwickii (Ganguly) Ellis, Pyricularia grisea (Sacc.) Cooke, Microdochium oryzae (Hashioka Yokogi) Samuels and Hallet, Sarocladium oryzae (Sawada) W. Gams, além de diferentes espécies de Drechslera, Curvularia, Nigrospora, Fusarium, Coniothynium, Epicoceum, Phythomyces e Chetomium.
As manchas aparecem desde o início da emissão das panículas até o seu amadurecimento. Os sintomas são muito variáveis, dependendo do patógeno predominante, do estádio de infecção e das condições climáticas. A queima das glumelas em arroz de terras altas manifesta-se durante a emissão das panículas, com manchas de coloração marrom-avermelhada nas espiguetas, idênticas às manchas causadas por Drechslera oryzae. As manchas em forma de lente, com centro esbranquiçado e borda marrom, aparecem quando a infecção com Phoma sorghina ocorre na fase leitosa e pastosa, após a emissão das panículas. As glumelas dos grãos infectados com Microdochium oryzae apresentam grande número de pontuações avermelhadas do tamanho de cabeça de alfinete. Em arroz irrigado é difícil identificar os patógenos envolvidos com o aparecimento de manchas de grãos apenas pelo sintoma.
A chuva e a alta umidade durante a formação dos grãos, favorecem a ocorrência das manchas, o acamamento contribui também para aumentar a descoloração dos grãos. Danos causados por insetos no campo, principalmente o percevejo, predispõem os grãos à infecção por microrganismos. Adicionalmente, a severidade da queima das glumelas na lavoura é maior quando a emissão das panículas do arroz coincide com períodos chuvosos.

Controle

O tratamento de sementes com fungicida é um pré-requisito para aumentar o vigor e o estande, além de diminuir o inóculo inicial. As práticas culturais indicadas para outros patógenos podem minimizar a incidência de manchas de grãos. A aplicação de fungicidas protetores mostram redução dos sintomas e melhoria da qualidade dos grãos sem, contudo, indicar diferenças na produtividade.


Imagens 1 e 2 - Sintomas de mancha de grãos em casca e beneficiados em arroz.

Doenças do arroz - Mancha de Grãos

Brusone


Sintomas típicos de brusone

A brusone é a doença do arroz mais expressiva no Brasil, causando perdas significativas no rendimento das cultivares suscetíveis quando as condições de ambiente são favoráveis. A brusone ocorre em todo o território brasileiro, do Rio Grande do Sul ao Amazonas. Os prejuízos são variáveis, sendo maiores em arroz de terras altas. Em condições favoráveis à doença, na Região Centro-Oeste brasileira, as perdas podem chegar até 100%.
No Estado do Tocantins, que cultiva anualmente cerca de 70 mil hectares de arroz irrigado, embora não existam estimativas quantificadas, os prejuízos são significativos com a ocorrência da alta severidade da brusone nas folhas, devido à falta de água na fase vegetativa. Na Região Nordeste e nos Estados do Pará e Amazonas, a incidência da brusone é baixa e de menor importância que as outras doenças que ocorrem no arroz.

Sintomas

O agente causal da brusone, originalmente denominado Pyricularia oryzae, foi descrito como nova espécie por Cavara em 1891. A brusone ocorre desde o estádio de plântula até a fase de maturação da cultura. Os sintomas nas folhas iniciam-se com a formação de pequenas lesões necróticas, de coloração marrom, que evoluem, aumentando de tamanho, tornando-se elípticas, com margem marrom e centro cinza ou esbranquiçado. Em condições favoráveis, as lesões coalescem, causando morte das folhas e, muitas vezes, da planta inteira. Os sintomas nos nós e entre nós aparecem, geralmente, na fase de planta madura. A infecção no primeiro nó, abaixo da panícula, é referida como brusone do pescoço. Os sintomas observados nos entrenós são comuns somente nas cultivares suscetíveis de arroz de terras altas. A infecção na região dos nós é freqüentemente encontrada somente em cultivares suscetíveis de arroz irrigado.

Fatores que afetam a incidência da doença
No Brasil, a brusone é transmitida pela semente infectada, sendo esta uma das fontes primários de inóculo,. porém as sementes infectadas não provocam epidemia em condições de plantios bem conduzidos. Outra fonte de inóculo primário são os esporos do fungo que sobrevivem nos restos culturais, em lavouras de segundo e terceiro ano de plantio consecutivo. Os esporos, trazidos pelo vento, produzidos nas lavouras vizinhas ou distantes, plantadas mais cedo constitui-se também em fonte importante de inóculo primário. Todas as fases do ciclo da doença, desde a germinação dos esporos até o desenvolvimento de lesões são influenciados em grande parte pelos fatores climáticos. Os fatores climáticos mais importantes são o molhamento das folhas pelas chuvas ou pela deposição de orvalho.
A temperatura ideal para a o rápido desenvolvimento da brusone varia entre 20-25° C. O desenvolvimento da infecção é acelerado quando a umidade relativa do ar for superior à 93%. A maior susceptibilidade das folhas à brusone ocorre na fase vegetativa; O aumento da resistência é observado com a idade da planta a partir dos 55 a 60 dias, resultando na redução da severidade da brusone nas três folhas superiores. Durante o enchimento de grãos, a fase entre grão leitoso e pastoso (10 à 20 dias após a emissão das panículas) é a fase mais suscetível à brusone. A ocorrência de chuvas durante o enchimento de grãos também reduz a severidade da brusone nas panículas. Em geral, a incidência da brusone nas panículas é menor em campos irrigados por aspersão, do que naqueles sujeitos à deficiência hídrica. O desequilíbrio nutricional aumenta a severidade da brusone nas folhas e panículas, principalmente do nitrogênio em doses excessivas. Também a aplicação de N no sulco, na ocasião do plantio aumenta significativamente a severidade da brusone quando comparada com N parcelado.

Controle

Arroz de Terras Altas
Os danos causados pela brusone em arroz de terras altas podem ser reduzidos significativamente através de práticas culturais, uso de fungicidas no tratamento de sementes e aplicação na parte aérea e uso de cultivares moderadamente resistentes. Recomendam-se como medidas de controle as seguintes práticas culturais: bom preparo do solo, com aração profunda, o que reduz a severidade da brusone pela diminuição do efeito de estresse hídrico, uniformidade de plantio, utilização de sementes sadias, tratamento de sementes com fungicidas sistêmicos para proteção na fase vegetativa, plantio no mês de outubro coincidindo com o início das chuvas, para evitar o inóculo primário. A adubação nitrogenada em cobertura deve ser evitada entre 30 a 50 dias após a germinação, para não aumentar a severidade da brusone na fase mais suscetível. Aconselha-se a cobertura nitrogenada, quando necessário, somente na fase de primórdio floral. Não se recomenda a pulverização com fungicidas na fase vegetativa. A planta é mais suscetível à brusone entre 30 e 60 dias após a semeadura.
Arroz irrigado
Em arroz irrigado, o controle adequado da brusone pode ser obtido com o uso de cultivares resistentes, ou moderadamente resistentes. Nas várzeas do Estado do Tocantins, para cultivares suscetíveis recomendada-se uma a duas pulverizações com fungicidas: a primeira no emborrachamento e outra na época de emissão das panículas, de forma integrada com práticas de manejo da cultura.
No Sul do País recomenda-se:
aplainamento e/ou sistematização do solo para facilitar a irrigação;
dimensionamento adequado dos sistemas de irrigação e drenagem;
bom preparo do solo;
adubação equilibrada;
uso de sementes de boa qualidade fisiológica e fitossanitária;
semeadura, entre 15 de outubro e 15 de novembro;
controle das plantas daninhas;
destruição de plantas voluntárias e doentes;
troca de cultivares semeadas a cada três ou quatro anos;
escalonamento da época de semeadura; e
semeadura com densidade entre 120 e 150 kg/ha e com espaçamento não muito reduzido (17 cm).

A adoção de práticas culturais, combinada com o uso de cultivares resistentes, reduz o uso de produtos químicos e, conseqüentemente, os danos ambientais e o custo de produção.

Imagem 1 - Sintomas típicos de brusone.
Imagem 2 - Sintomas de brusone das panículas.

Doenças do arroz - Brusone